Sexta-feira, 30 de Maio de 2008

Nuke the Fridge

Gostava de falar pessoalmente com o George Lucas e o Steven Spielberg para saber o que ia naquelas cabecinhas quando resolveram incluir no filme Indiana Jones e a Caveira de Cristal a famigerada cena do frigorífico.

 

Para quem não sabe ou não viu o filme e, correndo o risco de estragar a surpresa, vou dizer o que se passou. Atenção aos spoilers.

Indiana Jones foge dos soldados russos que invadiram o armazém e vai parar a uma pequena zona habitacional no meio do deserto repleta de bonecos de teste. Ao aperceber-se que está numa zona de testes nucleares Indiana decide procurar abrigo para a explosão que irá ocorrer nos próximos segundos. O único sítio que encontra é um frigorífico revestido a chumbo (como Spielberg faz questão de mostrar para justificar a escolha). Indiana entra lá para dentro e segundos depois a bomba explode. As casas, os carros e os manequins são desfeitos com a onda de choque mas o que vemos nós? Um carro onde alguns soldados russos vão a fugir é atingido pelo sopro da explosão e desaparece, enquanto mais acima vemos o frigorífico a voar a alta velocidade. O frigorífico cai alguns quilómetros mais à frente e o Indiana Jones sai lá de dentro sem qualquer ferimento e fica a observar o cogumelo atómico que se eleva. Como não estavam satisfeitos com a estupidez da cena resolvem colocar uma toupeira/marmota(?) CGI a olhar em estado de choque  para o Indiana quando este sai do frigorífico.

 

É melhor verem:

 

 

O curioso nisto tudo é que já existe uma expressão usada pelo público de cinema e tv americanos que é "Jump the Shark", que é usada quando uma cena é ridícula e inverosímil. Essa expressão foi tirada da série "Happy Days", quando Fonzie faz ski aquático e salta por cima de um tubarão. Actualmente já se diz que essa expressão foi substituída por "Nuke the Fridge".

 

Não tenho o hábito de analisar os filmes para verificar o que é possível ou não. Dependendo do tipo de filme vejo-o sem qualquer preconceito e entro no espírito do filme.  E a série Indiana Jones é um caso à parte. A grande diferença entre este filme e os outros três tem a ver com a tecnologia actual. Enquanto que os outros filmes foram feitos recorrendo a duplos, cenários reais e maquetes, conferindo uma maior credibilidade às cenas, este abusa dos efeitos CGI aliado a um argumento pouco inspirado. Neste filme as coisas acontecem porque sim e não há qualquer explicação do porquê e do como.

Até mesmo pequenos erros históricos como o aparecimento de um RPG-7 que naquela altura ainda não existia ou então quando vemos na mota do Mutt um sistema de travões que é actual pensamos que os criadores não se esforçaram muito para dar credibilidade ao filme.


publicado por LuisM às 11:00
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2 comentários:
De JJ a 13 de Março de 2009 às 01:35
Já quase se passou uma ano. Mas já que anda por aí o DVD, gostaria só de deixar um comentário.. Filmes de indiana jones foram SEMPRE baseados na fantasia.. E só prova que muita gente não se consegue colocar com o espirito que tinha à 19 anos. A cena do frigorífico é exactamente equivalente:
_Homens a ARRANCAR CORAÇÕES do peito e este ainda a bater. A cena do BARCO de borracha a cair do avião salvando-lhes a vida. O cavaleiro das cruzadas esperando 500 ANOS por Indy e ainda a falar um perfeito INGLÊS.. e haveriam muito mais cenas fantasiosas..


De LuisM a 2 de Abril de 2009 às 16:13
Quase um ano depois posso dizer-te que já voltei a ver o filme em dvd e que essa cena continua a fazer confusão. Pode ter a ver com a questão da idade, sem dúvida, mas a conclusão que eu tiro hoje, mais a frio, é que o CGI tirou muita magia a este filme.
Sempre existiu fantasia nos filmes do Indiana, mas na maior parte das vezes essa fantasia baseia-se nas lendas, o que dá um bocado de credibilidade (se um cavaleiro está a guardar o Graal junto da fonte da vida eterna é natural que ele esteja vivo, e na India existe a crença de que certas pessoas divinas conseguem operar com as mãos sem necessidade de abrir o paciente). Onde se costumam esticar mais é nas acrobacias. Mas como isso era feito recorrendo aos efeitos especiais da época tinha algum realismo. Era tudo feito com maquetes, duplos, etc.




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